1-
Qual a motivação do autor para propor um estudo sobre o “hiper” do hipertexto,
ou seja, o que o autor pretende com o texto?
Propor uma
discussão acerca do hipertexto como objeto da Linguística, sua produção,
recepção e sua usabilidade.
2-
Quais questões o autor discute? Enumere-as e comente-as, dando sua opinião e
acrescentando ou refutando seus argumentos.
·
O hipertexto como objeto de
estudo da Linguística;
·
Características linguísticas do
hipertexto;
·
O hiper- do hipertexto: o uso do
termo hipertexto;
·
Algumas categorias hipertextuais;
·
Relação entre texto e hipertexto:
semelhanças e diferenças.
O
referido trabalho busca esclarecer
algumas questões centrais que contribuem para o surgimento de novas discussões
e pesquisas acerca do hipertexto sob a égide da Linguística textual.
Inicialmente, convém ressaltar que o hipertexto, como objeto de estudo da
Linguística, permite o estudo de novas categorias, sob outros vieses, com
múltiplos olhares.
O termo hipertexto faz jus a essa
flexibilidade e dinamicidade, pois o leitor dialoga com um texto multimodal,
que pode ser visto sob várias dimensões. Além disso, são especificidades
linguísticas que permitem enquadrar o hipertexto, texto virtual que porta
links, no âmbito da LT.
Quanto à relação entre texto e
hipertexto, compactuo com a concepção de Braga (2004a), pois o texto e o
hipertexto, na verdade, complementam-se, imbricam-se; a diferença dá-se pelas
inúmeras possibilidades de leitura oferecidas por meio dos links. As categorias
hipertextuais comprovam essa afirmativa, considerando que coerência,
continuidade tópica temática e semântica, a não linearidade, dentre outras,
podem ser observadas não só no hipertexto, como também no texto.
3-
Quais os autores/obras que ajudam o autor a fundamentar sua argumentação? É
possível fazer um quadro seguindo critérios de posicionamento de cada um deles?
Os autores que
contribuíram para a fundamentação da argumentação do autor são:
·
Braga e Ricarte (2005) propõem
uma explicação para a abrangência conceitual do termo hipertexto, lembrando que
ele surge de conceitos técnicos de recuperação de arquivos digitais viabilizada
por linguagens como o HTML e o XML e não de reflexões linguísticas;
·
Perfetti (1996) faz uma discussão
sobre o uso do prefixo hiper- em hipertexto;
·
Silva (2003), Rada (1991),
Santaella (2007) remetem-se a ideia de o hipertexto ser superior ou melhor do
que o texto impresso;
·
Miall (1994) aborda a questão da
leitura de hipertextos, salientando que o ponto de partida é o conhecimento do
leitor e os processos psicológicos que embasam a leitura e escrita;
·
Rouet e Levonen (1996) e Koch
(2005) propõem um estudo entre as especificidades do texto e do hipertexto
(semelhanças e diferenças);
·
Lemke (2002) aponta diferenças
entre o texto e o hipertexto;
·
Braga, Marcuschi, Xavier,
Coscarelli que instigam os estudos sobre hipertexto;
·
Marcuschi (2006) diz que o
hipertexto não é um fenômeno do meio estritamente eletrônico ou exclusivamente
do mundo digital;
·
Braga (2004a) diz que o
hipertexto é uma continuidade do texto impresso e que a diferença fundamental
dá-se pela presença de links;
·
Para Landow (1997) e Snyder
(1998), o hipertexto só existe enquanto texto eletrônico;
·
Para Braga (2005), o hipertexto é
o produto de uma nova modalidade linguística no meio digital que está sujeito
aos limites e possibilidades inerentes ao meio, o que não descarta as
semelhanças, mas enfatiza a nova modalidade da comunicação feita exclusivamente
para o meio digital.
Dentre
outros que, possivelmente, serviram com uma leitura complementar.
4-
Qual a crítica que o autor faz a respeito das mudanças de foco nas pesquisas
sobre hipertexto e sobre os modismos acadêmicos?
Como o hipertexto
eletrônico surgiu a partir das potencialidades da informática, muitas das
tentativas de caracterizá-lo costumam relacionar-se a conceitos técnicos e à
sua usabilidade, deixando de lado suas características linguísticas, quando não
se preocupam em chamar a atenção para suas “possibilidades inovadoras.” Além
disso, faz-se certa confusão de suas particularidades linguísticas com sua
usabilidade, de sua produção (design) com sua recepção (leitura e construção de
sentidos).
5-
O que ou em que as pesquisas na área de Linguística Aplicada e Linguística de
Texto deveriam se ater para estudar o hipertexto? Quais questões estão em
aberto, segundo o autor?
Deveriam se ater à
possibilidade de entender o hipertexto como objeto de estudo da Linguística, à
relação entre texto e hipertexto, às questões voltadas à coerência, à
usabilidade em hipertextos. É salutar rediscutir e rever algumas posições
acerca dos conceitos de texto, textualidade, intra e intertextualidade,
produção de sentido e produção escrita que, em alguns casos, nem sequer estavam
perfeitamente elaboradas e concluídas no âmbito do texto tradicional. É
necessário que haja ainda muitas discussões, estudos e, especialmente,
experimentos na área de leitura e escrita em ambientes pedagógicos ou não, para
que possamos compreender melhor o hipertexto e como se dão os processos de
autoria e, de construção de sentido.
6-
É possível fazer um quadro entre as semelhanças e diferenças entre texto e
hipertexto? Discuta essa possibilidade e proponha um quadro. Acrescente uma
coluna com suas próprias observações e comentários a respeito de cada item.
Sim.
SEMELHANÇAS
|
DIFERENÇAS
|
Ø Texto e
hipertexto são eventos comunicativos e dotam propósitos discursivos;
Ø No hipertexto,
as informações são colocadas em “páginas” e há também um índice;
Ø Aspectos
social e estrutural auxiliam na determinação das relações inter e
intra-textuais;
Ø Rouet e
Levonen (1996) Os textos impressos normalmente trazem índices, gravuras,
gráficos, tabelas, notas de rodapé, glossários etc., que permitem ao leitor
fazer uma leitura não linear e visam facilitar a compreensão do texto, embora
não possam garanti-la;
Ø No tocante à
linearidade, não existe uma diferença fundamental entre o texto impresso e o
eletrônico, pois a linearidade pode ser introduzida em diferentes graus e
níveis em ambos os meios;
Ø Koch (2005),
compara, assim como Rouet e Levonen, as notas de rodapé e as referências
feitas no texto acadêmico impresso com os links e à liberdade do leitor de um
hipertexto, de interromper a leitura no momento em que quiser para ler ou
consultar as notas;
Ø Presença de
boxes, gráficos, tabelas, fotos e ilustrações aos quais o texto de
fundo remete e que o leitor poderá ler para obter uma visão mais completa do
que está acontecendo para construir a sua interpretação do fato.
|
Ø O texto, no
hipertexto, não é como um objeto a ser lido palavra por palavra, linha por
linha, nem página por página, mas sim como um espaço que o aprendiz pode
explorar;
Ø O hipertexto é
um texto multimimensional, considerando o texto (impresso) como uma estrutura
unidimensional;
Ø As pesquisas
sobre textos enfocam como os textos são processados (caráter linguístico) e
as pesquisas sobre hipertexto têm se preocupado em estudar como ele pode ser
usado (caráter tecnológico);
Ø Se no texto
escrito o leitor pode aceitar passivamente a sequência proposta pelo autor,
no hipertexto o progresso depende das decisões do leitor, que ainda precisa
possuir uma representação mental de como a informação está organizada.
Ø Rouet &
Levonen creditam à usabilidade a grande diferença entre texto e hipertexto;
para eles, no meio eletrônico é mais fácil para os leitores tirarem vantagem
das características não lineares disponíveis, como no caso de leitores com
deficiência de vocabulário ou de conhecimento prévio que podem beneficiar-se de
graus de não linearidade moderados, como, por exemplo, definições on-line e
acesso a informações adicionais enquanto leem, ou seja, a vantagem está na
usabilidade.
Ø A diferença
entre texto e hipertexto “está apenas no suporte e na forma e rapidez do
acesso”. Na realidade, então, o hipertexto permite ao leitor o acesso a uma
quantidade praticamente ilimitada de outros textos, a partir de escolhas
locais; isto é, “a partir de elementos específicos nele presentes, que se
encontram interconectados, embora não necessariamente correlacionados – os
hiperlinks”.
Ø A maior
quantidade de informações disponíveis devido à presença dos links, à rapidez
de acesso às informações e à possibilidade de combinar diversas modalidades
impraticáveis no texto impresso;
Ø O hipertexto difere
radicalmente do texto impresso, na medida em que oferece ao leitor apenas
unidades de informação com possibilidades de trajetórias e loops sem
que haja um eixo narrativo ou argumentativo que os relacione entre si de
forma sequencial” (Lemke, 2002);
Ø A organização
estrutural do hipertexto recupera e expande formas de relações inter e
intra-textuais já exploradas nos textos impressos, principalmente os de
natureza acadêmica. há uma diferença fundamental: na tela, essas ligações vão
além de expansões ou relações secundárias e passam a ser centrais na
estruturação do texto;
Ø Presença dos
links um aspecto central na definição de hipertexto, e sendo os links,
funcionalidades eletrônicas, o hipertexto só existe enquanto texto eletrônico
(LANDOW, 1997; SNYDER, 1998);
Ø O hipertexto é
essencialmente digital e explora os recursos das modalidades expressivas de
forma integrada ou a flexibilidade dos caminhos de acesso.
|
7- Acrescente seus
comentários, dúvidas e interesses nesse guia de leitura.
Vale ressaltar que os
estudos de hipertexto permitem novos enfoques, segundo a perspectiva da
Linguística textual. As categorias hipertextuais e as especificidades
linguísticas do hipertexto podem expandir a Ciência da linguagem e mostrar que
as linhas que separam texto e hipertexto são muito tênues.
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