sábado, 11 de abril de 2015

TEXTO E HIPERTEXTO: O “HIPER” DO HIPERTEXTO E OUTRAS QUESTÕES - Encontro 08-04-2015

Neste momento interativo, continuamos a discussão sobre o contexto histórico do hipertexto, cujo texto intitula-se Breve histórico do hipertexto. Em seguida, propomos uma nova discussão acerca do texto Texto e hipertexto: o "hiper" do hipertexto e outras questões. Este último texto não apenas propõe uma discussão acerca do hipertexto como objeto da Linguística, mas ainda sua produção, recepção e sua usabilidade, bem como relações entre texto e hipertexto. Os questionamentos a seguir nortearam a leitura do referido texto que, por sua vez, promoveram reflexões que se encontram ao final dessas questões norteadoras.

1- Qual a motivação do autor para propor um estudo sobre o “hiper” do hipertexto, ou seja, o que o autor pretende com o texto?

Propor uma discussão acerca do hipertexto como objeto da Linguística, sua produção, recepção e sua usabilidade.

2- Quais questões o autor discute? Enumere-as e comente-as, dando sua opinião e acrescentando ou refutando seus argumentos.
·         O hipertexto como objeto de estudo da Linguística;
·         Características linguísticas do hipertexto;
·         O hiper- do hipertexto: o uso do termo hipertexto;
·         Algumas categorias hipertextuais;
·         Relação entre texto e hipertexto: semelhanças e diferenças.

O referido trabalho busca esclarecer algumas questões centrais que contribuem para o surgimento de novas discussões e pesquisas acerca do hipertexto sob a égide da Linguística textual. Inicialmente, convém ressaltar que o hipertexto, como objeto de estudo da Linguística, permite o estudo de novas categorias, sob outros vieses, com múltiplos olhares.
O termo hipertexto faz jus a essa flexibilidade e dinamicidade, pois o leitor dialoga com um texto multimodal, que pode ser visto sob várias dimensões. Além disso, são especificidades linguísticas que permitem enquadrar o hipertexto, texto virtual que porta links, no âmbito da LT.
Quanto à relação entre texto e hipertexto, compactuo com a concepção de Braga (2004a), pois o texto e o hipertexto, na verdade, complementam-se, imbricam-se; a diferença dá-se pelas inúmeras possibilidades de leitura oferecidas por meio dos links. As categorias hipertextuais comprovam essa afirmativa, considerando que coerência, continuidade tópica temática e semântica, a não linearidade, dentre outras, podem ser observadas não só no hipertexto, como também no texto.

3- Quais os autores/obras que ajudam o autor a fundamentar sua argumentação? É possível fazer um quadro seguindo critérios de posicionamento de cada um deles?
Os autores que contribuíram para a fundamentação da argumentação do autor são:

·         Braga e Ricarte (2005) propõem uma explicação para a abrangência conceitual do termo hipertexto, lembrando que ele surge de conceitos técnicos de recuperação de arquivos digitais viabilizada por linguagens como o HTML e o XML e não de reflexões linguísticas;
·         Perfetti (1996) faz uma discussão sobre o uso do prefixo hiper- em hipertexto;
·         Silva (2003), Rada (1991), Santaella (2007) remetem-se a ideia de o hipertexto ser superior ou melhor do que o texto impresso;
·         Miall (1994) aborda a questão da leitura de hipertextos, salientando que o ponto de partida é o conhecimento do leitor e os processos psicológicos que embasam a leitura e escrita;
·         Rouet e Levonen (1996) e Koch (2005) propõem um estudo entre as especificidades do texto e do hipertexto (semelhanças e diferenças);
·         Lemke (2002) aponta diferenças entre o texto e o hipertexto;
·         Braga, Marcuschi, Xavier, Coscarelli que instigam os estudos sobre hipertexto;
·         Marcuschi (2006) diz que o hipertexto não é um fenômeno do meio estritamente eletrônico ou exclusivamente do mundo digital;
·         Braga (2004a) diz que o hipertexto é uma continuidade do texto impresso e que a diferença fundamental dá-se pela presença de links;
·         Para Landow (1997) e Snyder (1998), o hipertexto só existe enquanto texto eletrônico;
·         Para Braga (2005), o hipertexto é o produto de uma nova modalidade linguística no meio digital que está sujeito aos limites e possibilidades inerentes ao meio, o que não descarta as semelhanças, mas enfatiza a nova modalidade da comunicação feita exclusivamente para o meio digital.
Dentre outros que, possivelmente, serviram com uma leitura complementar.

4- Qual a crítica que o autor faz a respeito das mudanças de foco nas pesquisas sobre hipertexto e sobre os modismos acadêmicos?

Como o hipertexto eletrônico surgiu a partir das potencialidades da informática, muitas das tentativas de caracterizá-lo costumam relacionar-se a conceitos técnicos e à sua usabilidade, deixando de lado suas características linguísticas, quando não se preocupam em chamar a atenção para suas “possibilidades inovadoras.” Além disso, faz-se certa confusão de suas particularidades linguísticas com sua usabilidade, de sua produção (design) com sua recepção (leitura e construção de sentidos).

5- O que ou em que as pesquisas na área de Linguística Aplicada e Linguística de Texto deveriam se ater para estudar o hipertexto? Quais questões estão em aberto, segundo o autor?

Deveriam se ater à possibilidade de entender o hipertexto como objeto de estudo da Linguística, à relação entre texto e hipertexto, às questões voltadas à coerência, à usabilidade em hipertextos. É salutar rediscutir e rever algumas posições acerca dos conceitos de texto, textualidade, intra e intertextualidade, produção de sentido e produção escrita que, em alguns casos, nem sequer estavam perfeitamente elaboradas e concluídas no âmbito do texto tradicional. É necessário que haja ainda muitas discussões, estudos e, especialmente, experimentos na área de leitura e escrita em ambientes pedagógicos ou não, para que possamos compreender melhor o hipertexto e como se dão os processos de autoria e, de construção de sentido.

6- É possível fazer um quadro entre as semelhanças e diferenças entre texto e hipertexto? Discuta essa possibilidade e proponha um quadro. Acrescente uma coluna com suas próprias observações e comentários a respeito de cada item.

Sim.

SEMELHANÇAS
DIFERENÇAS
Ø Texto e hipertexto são eventos comunicativos e dotam propósitos discursivos;
Ø No hipertexto, as informações são colocadas em “páginas” e há também um índice;
Ø Aspectos social e estrutural auxiliam na determinação das relações inter e intra-textuais;
Ø Rouet e Levonen (1996) Os textos impressos normalmente trazem índices, gravuras, gráficos, tabelas, notas de rodapé, glossários etc., que permitem ao leitor fazer uma leitura não linear e visam facilitar a compreensão do texto, embora não possam garanti-la;
Ø No tocante à linearidade, não existe uma diferença fundamental entre o texto impresso e o eletrônico, pois a linearidade pode ser introduzida em diferentes graus e níveis em ambos os meios;
Ø Koch (2005), compara, assim como Rouet e Levonen, as notas de rodapé e as referências feitas no texto acadêmico impresso com os links e à liberdade do leitor de um hipertexto, de interromper a leitura no momento em que quiser para ler ou consultar as notas;
Ø Presença de boxes, gráficos, tabelas, fotos e ilustrações aos quais o texto de fundo remete e que o leitor poderá ler para obter uma visão mais completa do que está acontecendo para construir a sua interpretação do fato.
Ø O texto, no hipertexto, não é como um objeto a ser lido palavra por palavra, linha por linha, nem página por página, mas sim como um espaço que o aprendiz pode explorar;
Ø O hipertexto é um texto multimimensional, considerando o texto (impresso) como uma estrutura unidimensional;
Ø As pesquisas sobre textos enfocam como os textos são processados (caráter linguístico) e as pesquisas sobre hipertexto têm se preocupado em estudar como ele pode ser usado (caráter tecnológico);
Ø Se no texto escrito o leitor pode aceitar passivamente a sequência proposta pelo autor, no hipertexto o progresso depende das decisões do leitor, que ainda precisa possuir uma representação mental de como a informação está organizada.
Ø Rouet & Levonen creditam à usabilidade a grande diferença entre texto e hipertexto; para eles, no meio eletrônico é mais fácil para os leitores tirarem vantagem das características não lineares disponíveis, como no caso de leitores com deficiência de vocabulário ou de conhecimento prévio que podem beneficiar-se de graus de não linearidade moderados, como, por exemplo, definições on-line e acesso a informações adicionais enquanto leem, ou seja, a vantagem está na usabilidade.
Ø A diferença entre texto e hipertexto “está apenas no suporte e na forma e rapidez do acesso”. Na realidade, então, o hipertexto permite ao leitor o acesso a uma quantidade praticamente ilimitada de outros textos, a partir de escolhas locais; isto é, “a partir de elementos específicos nele presentes, que se encontram interconectados, embora não necessariamente correlacionados – os hiperlinks”.
Ø A maior quantidade de informações disponíveis devido à presença dos links, à rapidez de acesso às informações e à possibilidade de combinar diversas modalidades impraticáveis no texto impresso;
Ø O hipertexto difere radicalmente do texto impresso, na medida em que oferece ao leitor apenas unidades de informação com possibilidades de trajetórias e loops sem que haja um eixo narrativo ou argumentativo que os relacione entre si de forma sequencial” (Lemke, 2002);
Ø A organização estrutural do hipertexto recupera e expande formas de relações inter e intra-textuais já exploradas nos textos impressos, principalmente os de natureza acadêmica. há uma diferença fundamental: na tela, essas ligações vão além de expansões ou relações secundárias e passam a ser centrais na estruturação do texto;
Ø Presença dos links um aspecto central na definição de hipertexto, e sendo os links, funcionalidades eletrônicas, o hipertexto só existe enquanto texto eletrônico (LANDOW, 1997; SNYDER, 1998);
Ø O hipertexto é essencialmente digital e explora os recursos das modalidades expressivas de forma integrada ou a flexibilidade dos caminhos de acesso.

7- Acrescente seus comentários, dúvidas e interesses nesse guia de leitura.
Vale ressaltar que os estudos de hipertexto permitem novos enfoques, segundo a perspectiva da Linguística textual. As categorias hipertextuais e as especificidades linguísticas do hipertexto podem expandir a Ciência da linguagem e mostrar que as linhas que separam texto e hipertexto são muito tênues.


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